Mudanças na aposentadoria em 2026: veja as novas regras de idade e pontos

Regras de transição do sistema previdenciário passam por ajustes automáticos na virada do ano.

O planejamento para a aposentadoria é um dos assuntos que mais gera dúvidas na cabeça do trabalhador brasileiro, especialmente com as mudanças graduais que acontecem todo ano. Em 2026, quem está na expectativa de pendurar as chuteiras precisa ficar atento aos novos números da tabela de transição.

Desde a última grande reforma, os critérios para garantir o benefício mudam um pouco a cada janeiro, o que exige um cálculo atualizado para não errar a data do pedido. O objetivo dessas alterações é ajustar o sistema ao aumento da expectativa de vida da população, mas isso exige que o trabalhador se organize com antecedência.

Muita gente acredita que basta atingir uma idade específica, mas a realidade é que existem vários caminhos diferentes para chegar lá, dependendo de quando você começou a trabalhar. Saber qual dessas “portas” é a mais vantajosa pode significar uma diferença considerável no valor que vai cair na conta todos os meses.

Não se trata apenas de parar de trabalhar, mas de garantir que esse descanso seja sustentável e digno após décadas de dedicação e descontos mensais. A tecnologia hoje ajuda muito nesse processo, permitindo simulações rápidas que mostram o cenário real de cada segurado sem sair de casa.

Para te ajudar a entender se 2026 será o seu ano, detalhamos abaixo como funcionam as principais regras que estão valendo agora. Acompanhe os pontos de corte e veja em qual categoria o seu perfil se encaixa melhor para evitar surpresas na hora de dar entrada na papelada.

A regra de pontos para quem deseja se aposentar agora

A famosa regra de pontos é uma das mais utilizadas e soma a sua idade com o tempo total de contribuição. Em 2026, a pontuação exigida subiu novamente: as mulheres precisam somar 93 pontos, enquanto os homens devem atingir 103 pontos para garantir o direito.

Para entender na prática, se um homem tem 35 anos de contribuição, ele precisará ter pelo menos 68 anos de idade para fechar a conta dos 103 pontos. Se ele tiver mais tempo de carteira assinada, pode se aposentar um pouco mais jovem, desde que o resultado final da soma seja respeitado.

Essa modalidade costuma ser interessante para quem começou a trabalhar muito cedo e já acumulou muitos anos de pagamentos. É uma forma de equilibrar o esforço de quem está no mercado de trabalho há muito tempo, mesmo que ainda não tenha atingido a idade mínima geral.

Vale lembrar que o tempo mínimo de contribuição nesta regra continua sendo de 30 anos para as mulheres e 35 anos para os homens. Se você ainda não atingiu esse tempo de casa, a pontuação sozinha não resolve o problema, sendo necessário continuar na ativa por mais alguns meses ou anos.

Idade mínima progressiva: o que muda em 2026

Para quem não consegue atingir a pontuação necessária, existe a regra da idade mínima progressiva, que também sofreu um ajuste neste início de ano. Em 2026, as mulheres podem se aposentar a partir dos 59 anos e 6 meses, enquanto para os homens a exigência é de 64 anos e 6 meses.

Além da idade, o tempo de contribuição exigido aqui permanece em 30 anos para o público feminino e 35 para o masculino. Essa regra é um meio-termo para quem tem uma idade razoável, mas ainda não acumulou pontos suficientes para a outra modalidade de transição.

O aumento de seis meses a cada ano vai continuar acontecendo até que a idade chegue aos 62 anos para elas e 65 anos para eles. Por isso, quem está quase chegando na meta precisa acelerar o passo com a documentação para não acabar caindo na exigência do próximo ano, que será ainda maior.

É muito comum o trabalhador se confundir com esses meses adicionais, por isso a consulta ao extrato completo de contribuições é fundamental. Às vezes, um período trabalhado no passado que não consta no sistema pode ser a chave para você conseguir o benefício ainda este semestre.

O cálculo do valor do benefício e a média salarial

Um dos pontos que mais gera frustração é descobrir que o valor da aposentadoria será menor do que o último salário recebido na ativa. Em 2026, o cálculo continua sendo feito com base na média de todas as contribuições realizadas desde julho de 1994 até hoje.

O segurado recebe 60% dessa média salarial, com um acréscimo de 2% para cada ano que ultrapassar o tempo mínimo de 15 anos de contribuição para mulheres e 20 anos para homens. Isso significa que, quanto mais tempo você trabalhar além do mínimo, maior será a sua fatia do bolo no final das contas.

Para receber 100% da média salarial, as mulheres precisam contribuir por 35 anos e os homens por 40 anos. É um esforço longo, mas que garante uma segurança financeira muito maior para aproveitar a terceira idade com tranquilidade e sem apertos.

Muitas pessoas optam por se aposentar assim que atingem o tempo mínimo, mesmo recebendo um percentual menor, para poderem aproveitar o dinheiro logo. Essa é uma decisão pessoal que deve levar em conta o custo de vida e se você pretende continuar trabalhando mesmo depois de aposentado.

Como consultar o tempo que falta pelo celular

A boa notícia para o trabalhador em 2026 é que não é mais preciso enfrentar filas para saber quando vai se aposentar. O simulador oficial disponível nos sistemas do governo cruza os dados automaticamente e diz, na hora, quanto tempo falta em cada uma das regras vigentes.

Ao acessar a ferramenta, você consegue visualizar todo o seu histórico de empregos e verificar se existe algum período faltando. É muito comum que empresas antigas não tenham dado baixa ou não tenham repassado os valores corretamente, e ajustar isso agora é muito mais fácil do que no futuro.

Se você encontrar algum erro, é possível solicitar a retificação enviando fotos da sua carteira de trabalho, contratos ou holerites antigos. Esse processo de “limpeza” do cadastro é o que garante que, no dia de pedir a aposentadoria, o sistema aprove o benefício de forma automática, às vezes em poucos minutos.

Mantenha seu cadastro sempre com telefone e e-mail atualizados, pois é por esses canais que o órgão entrará em contato caso falte algum papel. A era digital facilitou a vida de quem quer transparência, permitindo que cada um seja o fiscal do seu próprio futuro financeiro.

Documentação e cuidados para evitar o indeferimento

Para dar entrada no pedido em 2026, os documentos básicos continuam sendo o RG, CPF e todas as carteiras de trabalho que você possui. Se você trabalhou em condições especiais, com exposição a agentes nocivos ou em atividades rurais, precisará de formulários específicos assinados pelas empresas.

Esses períodos especiais podem ser o “pulo do gato” para adiantar a aposentadoria, já que costumam contar mais tempo do que o trabalho comum. No entanto, a comprovação exige documentos técnicos que devem ser solicitados ao RH das empresas onde você passou, preferencialmente antes de sair do emprego.

Evite buscar ajuda de pessoas que prometem “facilitar” o processo em troca de pagamentos adiantados. O sistema é seguro e os servidores analisam apenas o que está provado no papel ou no sistema; não existe jeitinho para conseguir o benefício se os requisitos não forem preenchidos.

Se o seu pedido for negado, você tem o direito de entrar com um recurso apresentando novas provas ou contestando a decisão. Em muitos casos, uma análise mais detalhada de um período de serviço militar ou de escola técnica pode ser o que faltava para completar o tempo necessário e garantir o seu descanso merecido.