Guia prático para declarar o imposto de renda sem cometer erros comuns
A época de prestar contas com o leão costuma gerar muita ansiedade e correria. A declaração do imposto de renda é um daqueles compromissos anuais que ninguém gosta de deixar para a última hora, mas que muita gente acaba enrolando por causa da complexidade dos formulários.
O grande segredo para uma declaração tranquila não está em entender de contabilidade profunda, mas sim na organização prévia de todos os comprovantes. Ter uma pasta, física ou digital, com tudo o que aconteceu na sua vida financeira durante o ano passado poupa horas de estresse.
A Receita Federal tem investido muito em tecnologia, e hoje a declaração pré-preenchida já traz quase tudo mastigado para o contribuinte. No entanto, é sua responsabilidade conferir se cada dado ali informado bate com a realidade dos seus ganhos e gastos.
Cair na malha fina geralmente acontece por pequenos detalhes, como digitar um número errado ou esquecer de declarar um rendimento extra que o banco informou para o governo. Um pouco de atenção agora evita convocações para explicações presenciais no futuro.
Quem realmente precisa declarar este ano
Nem todo mundo é obrigado a entregar a declaração. A regra principal leva em conta o valor total que você recebeu de rendimentos tributáveis, como salários e aluguéis, ao longo de todo o ano anterior. Se você ultrapassou o limite estabelecido, precisa declarar.
Além da renda, existem outros critérios, como a posse de bens (casas, carros ou terrenos) que somem um valor considerável, ou a realização de operações na bolsa de valores. Mesmo quem ganha pouco, mas vendeu uma propriedade com lucro, precisa prestar contas.
A isenção para quem ganha até dois salários mínimos foi uma mudança que aliviou o bolso de muitos brasileiros. Se você se enquadra na faixa de isenção, não precisa se preocupar com o imposto, a menos que possua bens que ultrapassem os limites de obrigatoriedade.
O que pode ser deduzido para aumentar a restituição
A parte mais esperada da declaração é a restituição. Para receber dinheiro de volta, você precisa informar todos os gastos que a lei permite descontar da base de cálculo do imposto. Os principais são as despesas com saúde e educação.
Consultas médicas, exames, internações e planos de saúde não têm limite de dedução. Isso significa que quanto mais você gastou cuidando da saúde, menor será o seu imposto final ou maior será o valor a ser devolvido pelo governo.
Já com educação (escolas e faculdades), existe um teto por pessoa. Gastos com dependentes, como filhos e cônjuges, também entram na conta. Guardar os recibos e notas fiscais é obrigatório, pois o governo pode pedir a comprovação desses gastos até cinco anos depois.
A praticidade da declaração pré-preenchida
Se você quer ganhar tempo, a declaração pré-preenchida é a melhor opção. Ela importa dados de fontes pagadoras, médicos e imobiliárias diretamente para o seu programa. Você só precisa validar se os valores estão corretos e incluir o que faltar.
Outra vantagem desse modelo é a prioridade na hora de receber a restituição. O governo costuma colocar no início da fila quem utiliza a pré-preenchida e opta por receber o valor via Pix. É uma forma de incentivar o uso da tecnologia e reduzir erros de digitação.
Lembre-se de conferir os dados dos seus dependentes. Muitas vezes, um filho que começou a trabalhar e recebeu um salário baixo já precisa ser declarado de forma separada para não gerar inconsistências nos dois CPFs.