Buraco na pista e prejuízo no bolso: saiba como buscar indenização e guincho grátis
Entenda os direitos do motorista quando o veículo sofre danos por falta de manutenção nas vias e como acionar a prefeitura ou o estado.
Cair em um buraco enquanto dirige é uma das experiências mais frustrantes para quem vive no trânsito das cidades brasileiras. Além do susto e do risco de acidentes, o prejuízo costuma ser imediato: pneus rasgados, rodas amassadas e problemas na suspensão que podem custar uma pequena fortuna.
O que muita gente não sabe é que o motorista não precisa arcar com esse prejuízo sozinho quando o problema é causado pela falta de conservação da rua ou da estrada. Pela lei brasileira, o poder público — seja a prefeitura ou o estado — tem o dever de manter as vias em condições seguras de circulação.
Quando a administração pública falha nessa missão, ela se torna responsável pelos danos causados aos cidadãos. Isso significa que você tem o direito de ser ressarcido por cada centavo gasto no conserto, desde que consiga comprovar que o buraco foi o culpado pelo estrago.
Muitas prefeituras, inclusive, oferecem serviços de guincho gratuito para retirar o veículo da via e evitar que o trânsito fique travado. Saber como agir nesses primeiros minutos após o incidente é o que separa quem consegue a indenização de quem acaba ficando no prejuízo.
O processo pode parecer burocrático, mas tem se tornado cada vez mais comum e bem-sucedido na Justiça. Se o estado cobra impostos como o IPVA, ele tem a obrigação de entregar asfalto de qualidade e sinalização adequada para quem paga a conta.
O direito à indenização por danos em vias públicas
A responsabilidade do poder público nesses casos é chamada de “objetiva” ou por “omissão”. Na prática, isso quer dizer que, se a prefeitura sabia (ou deveria saber) que havia um buraco em uma avenida movimentada e não fez o reparo nem sinalizou o perigo, ela deve indenizar o motorista prejudicado.
O direito abrange não apenas o conserto das peças danificadas, mas também outros custos gerados pelo incidente. Se você precisou pegar um táxi ou carro de aplicativo para seguir viagem, ou se o veículo é sua ferramenta de trabalho e você deixou de ganhar dinheiro enquanto ele estava na oficina, esses valores podem ser incluídos no pedido.
Para ter sucesso, o foco deve estar na prova. O motorista precisa demonstrar o “nexo causal”, que é o termo jurídico para a ligação direta entre o buraco e o defeito no carro. Sem fotos e registros do local exato, fica muito difícil convencer um juiz de que o dano não foi causado por desgaste natural ou mau uso do veículo.
Passo a passo do que fazer após cair em um buraco
O momento logo após o impacto é decisivo. A primeira coisa a fazer é manter a calma e sinalizar o local com o triângulo para evitar que outros motoristas sofram o mesmo acidente. Em seguida, pegue o celular e comece a registrar tudo o que puder.
Tire fotos do buraco de vários ângulos, mostrando pontos de referência da rua (placas, nomes de lojas ou números de casas próximas). Também é essencial fotografar os danos no carro ainda no local do incidente. Se houver pessoas que presenciaram o ocorrido, peça o contato delas; testemunhas são provas valiosas em processos contra o governo.
Outra recomendação importante é acionar a autoridade de trânsito local ou a Polícia Militar para a confecção de um Boletim de Ocorrência (BO). Esse documento oficial tem fé pública e serve como um dos principais pilares para sustentar o seu pedido de reembolso, seja ele administrativo ou judicial.
Como solicitar o guincho gratuito e assistência
Em muitas cidades e rodovias pedagiadas, o motorista tem direito ao serviço de guincho sem custo adicional. No caso de estradas sob concessão, a empresa que administra a via é obrigada a oferecer socorro mecânico e remoção do veículo até um ponto seguro ou oficina próxima.
Nas vias urbanas, algumas prefeituras mantêm convênios com órgãos de trânsito que disponibilizam o guincho para desobstruir a via. Vale a pena ligar para o número de emergência da central de trânsito da sua cidade (como o 156 em várias capitais) e informar a situação.
Se o serviço público não estiver disponível e você precisar pagar um guincho particular, guarde a nota fiscal eletrônica. Esse gasto também entra na conta da indenização. O importante é não tentar movimentar o veículo se houver risco de agravar o dano na suspensão ou no motor, o que poderia reduzir o valor do seu ressarcimento.
O caminho para receber o dinheiro de volta
Existem duas formas principais de buscar o ressarcimento: a via administrativa e a via judicial. Na administrativa, você protocola um pedido diretamente na prefeitura ou no órgão responsável pela via, apresentando as fotos, o BO e pelo menos três orçamentos de oficinas diferentes.
Embora seja o caminho mais rápido na teoria, nem sempre os órgãos públicos aceitam o pedido de forma amigável. Se o pedido for negado ou a prefeitura demorar demais para responder, o próximo passo é entrar com uma ação no Juizado Especial da Fazenda Pública.
Para danos de menor valor (geralmente até 20 salários mínimos), não é obrigatório o acompanhamento de um advogado, embora seja altamente recomendável para garantir que todos os prazos e provas sejam apresentados corretamente. A justiça tem dado ganhos de causa frequentes para motoristas que apresentam documentação robusta, reforçando que o cidadão não deve pagar pelo descaso com a infraestrutura urbana.