IPVA zero para carros com mais de 20 anos vira realidade em todo o país em 2026
Mudança na Constituição garante isenção automática para veículos antigos e traz alívio financeiro para milhões de proprietários brasileiros.
Manter um carro na garagem exige um planejamento que vai muito além do combustível. Todo início de ano, o motorista brasileiro já sabe que precisará lidar com o IPVA, um imposto que costuma pesar bastante, especialmente para quem possui modelos mais antigos e gasta mais com manutenção.
Em 2026, uma mudança histórica na Constituição Federal trouxe uma excelente notícia para os proprietários de veículos fabricados há duas décadas ou mais. A partir de agora, carros de passeio, caminhonetes e até micro-ônibus com 20 anos de fabricação passam a ter IPVA zero de forma obrigatória em todos os estados.
Antes dessa regra, cada estado decidia se daria ou não a isenção e com quanto tempo de uso o carro ficava livre da taxa. Isso criava uma confusão: em alguns lugares o benefício vinha com 10 anos, em outros com 15, e havia estados que nem sequer ofereciam essa facilidade de forma ampla.
Agora, a regra é nacional e unificada. Se o seu carro foi fabricado em 2005 ou antes, você não precisa mais se preocupar com o boleto do imposto este ano. Essa medida é um reconhecimento de que veículos mais antigos já cumpriram sua cota de tributação e costumam pertencer a pessoas que precisam do transporte para o trabalho simples ou uso essencial.
Abaixo, detalhamos como essa isenção funciona na prática e o que você ainda precisa pagar para manter o seu veículo regularizado e rodando dentro da lei.
Quais veículos entram na nova regra de isenção
A Emenda Constitucional aprovada pelo Congresso é bastante clara sobre quem tem direito ao benefício. O foco principal são os carros de passeio, que formam a maior parte da frota nacional, mas a lista de beneficiados é maior do que muitos imaginam.
Além dos carros comuns, as caminhonetes, veículos de uso misto, reboques e semirreboques com 20 anos de fabricação também estão isentos. Os ônibus e micro-ônibus utilizados para transporte coletivo ou escolar que atingirem essa idade também deixam de pagar o imposto.
Essa unificação evita que motoristas precisem emplacar seus carros em outros estados apenas para fugir de tributos altos. Agora, o critério é justo e igual para quem mora no Rio Grande do Sul ou no Amazonas, garantindo isonomia para todos os motoristas brasileiros.
O licenciamento e o seguro continuam obrigatórios
É muito importante não confundir o fim do IPVA com o fim das obrigações anuais do veículo. Mesmo que o valor do imposto seja zero, você ainda precisa pagar a taxa de licenciamento anual para que o documento do carro (o CRLV) seja atualizado e emitido.
O licenciamento é o que garante que o veículo está em condições de rodar e que não possui multas pendentes. O valor dessa taxa é muito menor que o do IPVA, mas o não pagamento pode levar à apreensão do veículo em uma blitz e à perda de pontos na carteira de motorista.
Além disso, eventuais multas de trânsito acumuladas continuam vinculadas ao veículo e devem ser quitadas para que o documento seja liberado. O benefício do IPVA zero é um desconto no imposto sobre a propriedade, não um perdão para infrações cometidas.
Como consultar se o seu carro já está isento
Na maioria dos estados, a isenção é aplicada de forma automática pelo sistema da Secretaria da Fazenda e do Detran. Quando você acessar o portal para gerar o boleto de pagamento, o campo do IPVA já deve aparecer zerado ou com a informação de isento por tempo de fabricação.
Caso você possua um carro fabricado em 2005 e o boleto ainda apresente cobrança, o ideal é procurar o atendimento online do Detran do seu estado. Pode haver uma divergência na data de fabricação registrada no sistema ou no modelo do veículo que precise de correção manual.
Vale lembrar que o que conta é o ano de fabricação registrado no documento, e não o ano-modelo. Um carro modelo 2006 fabricado no final de 2005 já entra na regra da isenção total em 2026.
Valorização dos carros antigos no mercado
Com o fim da cobrança do IPVA, muitos modelos antigos devem ganhar uma sobrevida no mercado de usados. Carros que são conhecidos pela resistência e mecânica simples tornam-se ainda mais atrativos para quem busca um veículo robusto sem o custo fixo de um imposto anual elevado.
Isso ajuda a manter o valor de revenda desses veículos e facilita a vida de quem utiliza o carro como ferramenta de trabalho, como pequenos comerciantes e entregadores. O dinheiro economizado com o imposto pode ser reinvestido na manutenção preventiva, garantindo mais segurança nas ruas.
A medida também incentiva a conservação da frota. Com menos gastos tributários, o proprietário tem mais fôlego financeiro para trocar pneus, cuidar da suspensão e manter as revisões em dia, o que é fundamental para veículos que já possuem duas décadas de estrada.
O futuro dos carros híbridos e elétricos
Enquanto os carros antigos ganham isenção pela idade, o governo também ajustou as regras para os veículos de novas tecnologias. Em 2026, os modelos híbridos e movidos a hidrogênio possuem um teto de valor para continuarem isentos ou pagarem alíquotas reduzidas.
O limite de preço para isenção nesses casos foi reajustado para cerca de R$ 261 mil. Acima disso, o proprietário começa a pagar uma porcentagem gradual do imposto. A ideia é incentivar o uso de combustíveis menos poluentes, mas garantindo que carros de luxo contribuam proporcionalmente para os cofres públicos.
Essa combinação de isenção para os mais antigos e incentivos para os tecnológicos mostra um esforço para modernizar a frota brasileira, respeitando a realidade financeira de quem possui veículos usados e incentivando quem pode investir em mobilidade sustentável.