Novas regras para o auxílio-reclusão em 2026 geram debate sobre justiça social

Entenda quem realmente tem direito ao auxílio-reclusão e como o benefício funciona hoje

O auxílio-reclusão é, possivelmente, um dos benefícios mais cercados de mitos e informações desencontradas. É importante esclarecer que esse valor não é pago ao preso, mas sim aos seus dependentes — filhos e cônjuge — que ficaram sem o sustento após a prisão do provedor da família.

Para que a família receba, o preso precisa ter contribuído para a Previdência Social por pelo menos 24 meses antes da prisão. Além disso, o benefício só é concedido se o segurado for considerado de “baixa renda” segundo os critérios do INSS. Se o salário dele antes de ser preso fosse alto, a família não recebe nada.

Essa proteção é pensada para que crianças e dependentes não sejam punidos duplamente, perdendo também o acesso à alimentação e moradia básica. É uma medida que foca na manutenção da dignidade da família e na prevenção de que esses dependentes acabem em situação de extrema pobreza ou vulnerabilidade.

Critérios rigorosos para a concessão do benefício

Não é qualquer prisão que gera o direito. O benefício só é pago em casos de regime fechado. Se o preso for para o regime semiaberto ou aberto, o pagamento é imediatamente suspenso. Além disso, o segurado não pode estar recebendo outros benefícios do INSS, como auxílio-doença ou aposentadoria, no momento da prisão.

O valor do auxílio é limitado a um salário mínimo, independentemente de quanto o preso contribuía acima disso. Isso garante que o benefício cumpra apenas sua função social básica, sem gerar um custo excessivo para o sistema previdenciário e respeitando a realidade econômica do país.

A comprovação de que o segurado continua preso deve ser feita trimestralmente. A família precisa apresentar uma declaração de cárcere emitida pela unidade prisional. Se o preso fugir ou receber liberdade condicional, o benefício é cancelado no mesmo dia.

Como solicitar o auxílio e quais documentos apresentar

O pedido deve ser feito pelos dependentes através do canal Meu INSS. É necessário apresentar a certidão judicial que comprove a prisão e o regime, além dos documentos pessoais dos dependentes e do segurado preso. A certidão de nascimento dos filhos e a de casamento (ou união estável) são indispensáveis para provar o vínculo.

O processo de análise costuma levar alguns meses, mas, se aprovado, a família recebe os valores retroativos à data da prisão (se pedida em até 90 dias). Ter o suporte de um advogado ou da defensoria pública pode ajudar em casos onde o INSS nega o benefício por questões de cálculo de renda.

Entender o funcionamento técnico desse auxílio ajuda a separar o que é regra do que é opinião. O foco do INSS é sempre técnico: se houve contribuição e se a família se enquadra na baixa renda, o direito é garantido por lei para proteger a subsistência dos dependentes que não tiveram culpa pelo crime cometido.