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Terremoto no Brasil? Descubra se o país corre risco real e por que os tremores acontecem

Wilson Gonzaga Spiler Por Wilson Gonzaga Spiler
04/04/2025 - 10:34

Tremores registrados em regiões como o Sul e o Sudeste mostram que o Brasil não está isento de atividades sísmicas. Especialistas apontam falhas geológicas internas como causa

Os tremores registrados na Serra Gaúcha recentemente despertaram preocupação entre moradores e especialistas. Cidades como Caxias do Sul, Bento Gonçalves e Pinto Bandeira sentiram abalos de baixa magnitude, entre 2,3 e 2,8 graus.

O fenômeno ocorreu durante a madrugada e foi detectado por sismógrafos da Universidade de Brasília (unb.br) e da USP (www5.usp.br). Foram quatro episódios sequenciais, o que aumentou a vigilância sobre a atividade sísmica no sul do país.

Apesar de o Brasil não estar sobre zonas de convergência de placas tectônicas, tremores são cada vez mais notificados. E embora raramente ultrapassem 3,0 graus, alguns eventos chegaram a provocar danos e mortes.

Terremoto no Brasil Descubra se o país corre risco real e por que os tremores acontecem
Terremoto é raro no Brasil, mas registros recentes indicam que país não está livre de ocorrências – Crédito: Jeane de Oliveira / pronatec.pro.br

Tremores recentes mostram que o Brasil não está totalmente livre de terremotos

A cidade de Paraibuna, no interior paulista, foi palco de um tremor em janeiro de 2024. Registrado à noite, o abalo alcançou 2,4 graus na Escala Richter e foi descrito por moradores como semelhante a uma explosão.

Outro episódio ocorreu em Monte Azul Paulista, em setembro de 2023, com magnitude de 2,2 graus. Esses registros foram confirmados por dados da Rede Sismográfica Brasileira e do Observatório Sismológico da UnB.

Eventos históricos mostram que tremores de maior intensidade também já afetaram o Brasil. Em 2008, por exemplo, um sismo de 5,2 graus atingiu cinco estados do Sudeste e Sul.

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Especialistas apontam que falhas geológicas internas explicam os tremores no território

Embora distante das bordas de placas tectônicas, o Brasil apresenta falhas geológicas antigas. Essas estruturas, ao se reativarem, acumulam energia que, eventualmente, é liberada na forma de terremotos.

De acordo com geólogos da USP e da Universidade Federal do ABC (ufabc.edu.br), há registros de tremores fortes em períodos passados. Estudos apontam que há 2,5 milhões de anos, um evento com mais de 6 graus ocorreu na região de São Paulo.

Os locais mais propensos a tremores estão nas regiões Sudeste, Nordeste e partes do Norte e Centro-Oeste. A presença dessas falhas, somada à espessura da Placa Sul-Americana, cria condições para abalos internos.

Terremotos com magnitude acima de 6 graus já ocorreram em diferentes estados brasileiros

O maior terremoto registrado oficialmente no Brasil teve 6,6 graus e ocorreu em janeiro de 2024. O epicentro foi localizado entre os estados do Acre e Amazonas, em uma área de vegetação densa.

Em junho de 2022, outro tremor de 6,5 graus foi registrado próximo a Tarauacá, também no Acre. Além desses, há registros de sismos intensos em Mato Grosso (1955) e na divisa do Acre com o Amazonas (2007).

Esses eventos, embora localizados em áreas isoladas, foram documentados por instituições geológicas internacionais. A baixa densidade populacional na região contribui para a ausência de danos estruturais significativos.

Estrutura geológica brasileira reduz a intensidade dos efeitos dos terremotos

O Brasil está situado no centro da Placa Sul-Americana, longe das zonas de convergência. Isso significa que a liberação de energia sísmica tende a ocorrer com menor frequência e intensidade.

Estudos do Serviço Geológico Brasileiro (sgb.gov.br) indicam que o país registra cerca de 20 tremores acima de 3,0 por ano. Apenas dois desses costumam ultrapassar a marca de 4,0 graus na escala Richter anualmente.

A ausência de grandes falhas ativas no território contribui para limitar o potencial destrutivo dos eventos. No entanto, não elimina a possibilidade de que tremores fortes ocorram em determinadas regiões.

Único registro fatal provocado por terremoto no Brasil ocorreu em Minas Gerais

Em 2007, um tremor de 4,9 graus atingiu a cidade de Itacarambi, no norte mineiro. Na ocasião, uma residência desabou e uma criança morreu soterrada, tornando-se a única vítima fatal do tipo no país.

O evento mobilizou órgãos de proteção civil e provocou a evacuação de diversos imóveis. Apesar da baixa magnitude, a combinação de solo frágil e construções vulneráveis aumentou os danos.

Este episódio evidenciou que, mesmo com abalos moderados, os riscos não podem ser descartados. A preparação e o monitoramento contínuo são essenciais, especialmente em áreas de falha ativa conhecida.

Território nacional sente reflexos de terremotos ocorridos em países vizinhos

Eventos sísmicos no Chile e na Bolívia já provocaram tremores perceptíveis em estados brasileiros. Em abril de 2018, um terremoto de 6,8 graus na Bolívia causou evacuações em Brasília e São Paulo.

Esses tremores secundários são sentidos especialmente em edifícios altos, devido à propagação das ondas sísmicas. Mesmo sem danos estruturais, a sensação de instabilidade leva ao acionamento de protocolos de segurança.

A propagação de ondas a longas distâncias é facilitada pela estrutura geológica das camadas internas. Isso justifica por que sismos com epicentro a milhares de quilômetros ainda causam efeitos no Brasil.

Escala Richter e escala Mercalli são usadas para classificar os abalos

A Escala Richter mede a energia liberada no epicentro do terremoto com base em registros sismográficos. É uma escala logarítmica, em que cada grau representa um aumento mil vezes maior na liberação de energia.

Já a Escala Mercalli avalia os efeitos sentidos pelas pessoas e os danos nas estruturas construídas. Diferentes regiões podem registrar intensidades variadas para o mesmo evento, dependendo das condições locais.

Enquanto a Richter é usada para classificações técnicas, a Mercalli se baseia em relatos e observações diretas. Ambas ajudam a entender a dimensão e as consequências reais dos eventos sísmicos registrados.

Monitoramento constante é feito por universidades e instituições brasileiras

A Rede Sismográfica Brasileira (rsbr.on.br) integra universidades e centros de pesquisa para acompanhar os tremores. O Observatório Sismológico da UnB e o Centro de Sismologia da USP mantêm sistemas de alerta em tempo real.

Esses órgãos utilizam sensores espalhados por todo o território para identificar qualquer alteração sísmica. Além disso, fornecem dados públicos que ajudam a esclarecer a frequência e intensidade dos sismos.

Sites como o do Serviço Geológico dos Estados Unidos (usgs.gov) também trazem informações atualizadas sobre os eventos. O acesso a esses dados permite que especialistas acompanhem tendências e emitam alertas quando necessário.

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