Air Fryer pode estar colocando sua saúde em risco? Descubra a verdade antes de usá-la novamente

Estudos apontam a formação de compostos potencialmente prejudiciais durante o preparo de alimentos na air fryer, mas o risco depende de alguns fatores

O uso da air fryer se popularizou rapidamente em diversos lares, devido à praticidade e à promessa de refeições mais saudáveis, já que dispensa o uso de óleo.

No entanto, dúvidas sobre os possíveis riscos à saúde têm gerado debates, especialmente pela formação de acrilamida, uma substância associada ao câncer em testes com animais. Além disso, os materiais utilizados no revestimento do aparelho também são alvo de questionamentos.

Diante deste contexto, é importante entender como a fritadeira funciona, o que é a acrilamida e em quais situações o seu uso pode representar riscos.

Air Fryer pode estar colocando sua saúde em risco Descubra a verdade antes de usá-la novamente
Especialistas explicam se Air Fryer pode afetar saúde de quem a utiliza – Crédito: freepik / Freepik

Air fryer prepara alimentos sem óleo por meio da circulação de ar quente

A air fryer utiliza um sistema de circulação de ar quente em alta velocidade, promovido por uma resistência elétrica combinada a um ventilador interno. Esse mecanismo permite assar, fritar e grelhar alimentos sem a necessidade de imersão em óleo.

O resultado é uma crocância semelhante à fritura tradicional, mas com menor teor de gordura.

O aparelho oferece ajustes de temperatura que geralmente variam entre 80°C e 200°C, além de um temporizador que facilita o controle do tempo de preparo. Modelos mais avançados possuem funções pré-programadas para alimentos como batatas fritas, frango e carnes.

Contudo, o processo de aquecimento em altas temperaturas pode desencadear reações químicas nos alimentos, levando à formação de substâncias potencialmente prejudiciais à saúde.

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Formação de substâncias químicas em altas temperaturas preocupa especialistas

Embora não haja comprovação direta de que a air fryer cause câncer, o preparo de determinados alimentos nesse tipo de fritadeira pode resultar na produção de compostos relacionados ao desenvolvimento da doença.

A acrilamida, principal substância em questão, forma-se quando alimentos ricos em carboidratos são expostos a temperaturas superiores a 120°C.

Segundo o National Cancer Institute (cancer.gov), estudos em animais indicaram que a ingestão prolongada dessa substância aumentou a incidência de tumores. No entanto, ainda não há evidências conclusivas em humanos.

Além da acrilamida, outro fator de risco está nos materiais utilizados no revestimento antiaderente do cesto da fritadeira. Alguns modelos contêm PFAS (substâncias per e polifluoroalquiladas), conhecidos como “produtos químicos eternos” devido à sua persistência no meio ambiente e no organismo humano.

A exposição prolongada a esses compostos foi associada a problemas de saúde, como câncer de mama, doenças cardiovasculares e infertilidade.

Para reduzir esses riscos, recomenda-se optar por modelos fabricados com aço inoxidável ou vidro, além de evitar danos no revestimento antiaderente, o que minimiza a liberação de partículas químicas.

Acrilamida surge durante o preparo de alimentos ricos em amido

A acrilamida é uma substância química formada naturalmente durante o preparo de alimentos ricos em amido, como batatas, pães e cereais.

O processo ocorre devido à reação de Maillard, uma interação entre aminoácidos e açúcares que confere sabor e cor aos alimentos, especialmente em preparações tostadas ou crocantes.

Essa reação é comum em métodos de cocção como fritura, assamento e grelhamento, tanto em air fryers quanto em fornos e frigideiras convencionais.

Além da alimentação, a acrilamida também é utilizada em processos industriais, como a produção de plásticos, colas e cosméticos, além de estar presente na fumaça do cigarro.

Conforme a Agência Nacional de Vigilância Sanitária – Anvisa (gov.br/anvisa), embora testes em animais tenham demonstrado o potencial carcinogênico da substância, os estudos em humanos ainda não são conclusivos.

Alimentos ricos em carboidratos liberam mais acrilamida

O nível de acrilamida varia conforme o tipo de alimento, o tempo e a temperatura de preparo. Quanto mais crocante e escuro o alimento, maior a concentração da substância.

Entre os principais alimentos que liberam acrilamida estão batatas fritas, pães torrados, cereais matinais, biscoitos e grãos de café torrados. O chocolate também pode conter o composto, devido ao seu alto teor de carboidratos e ao processo de aquecimento utilizado em sua produção.

Estudos indicam que a ingestão diária de acrilamida é de aproximadamente 0,4 micrograma por quilo de peso corporal.

Para minimizar o consumo, especialistas recomendam evitar alimentos excessivamente tostados e preferir métodos de preparo que utilizem temperaturas mais baixas.

Reduzir o consumo de produtos industrializados e ultraprocessados, ricos em amido e submetidos a altas temperaturas, também contribui para diminuir a exposição à substância.

Uso moderado da air fryer reduz riscos à saúde

A utilização da air fryer não representa, por si só, um risco comprovado à saúde.

No entanto, o preparo inadequado de alimentos ricos em carboidratos, especialmente em altas temperaturas e por tempo prolongado, pode resultar na formação de acrilamida. Além disso, o contato com materiais contendo PFAS deve ser evitado, sempre que possível.

Para um uso mais seguro, recomenda-se ajustar a temperatura do aparelho para níveis moderados, evitar que os alimentos fiquem excessivamente tostados e diversificar os métodos de cocção. Dessa forma, é possível aproveitar a praticidade da air fryer sem abrir mão da saúde.