Mudanças do NOVO ensino médio: saiba como é a grande curricular em outros países e compare!

Novo Ensino Médio brasileiro é muito diferente da grade curricular de países desenvolvidos! Confira a comparação e veja o que dizem os especialistas.

Novo Ensino Médio causa muita polêmica no Brasil! Esse controverso modelo de ensino, marcado por inúmeras críticas de especialistas em educação e organizações de representação estudantil, é muito diferente do currículo adotado em países desenvolvidos. Atualmente, o modelo passa por consulta pública, e ao que tudo indica, o Ministério da Educação anunciará, em breve, diversas mudanças para o plano.

Atualmente, várias organizações pedem que o Novo Ensino Médio seja revogado. Afinal de contas, ele foi aprovado “a toque de caixa”, sem consultar professores, alunos e outros representantes da comunidade acadêmica. Além disso, muitas escolas encontram grandes problemas na implementação prática das novas regras. Com isso em mente, veja abaixo como o Novo Ensino Médio se compara à grade curricular de outros países.

Novo ensino médio tem várias mudanças! Crédito: @jeanedeoliveirafotografia / pronatec.pro.br
Novo ensino médio tem várias mudanças! Crédito: @jeanedeoliveirafotografia / pronatec.pro.br

Novo Ensino Médio é bem diferente do currículo de outros países

De acordo com um estudo recente da Universidade de Stanford, uma das instituições de ensino superior mais conceituadas do mundo, os países que possuem as notas mais altas em avaliações internacionais, e os menores índices de abandono escolar, oferecem aos alunos uma quantidade muito pequena de flexibilidade curricular.

Em termos mais simples, o modelo adotado por países que se destacam no quesito Educação é completamente diferente, quase oposto, ao currículo do Novo Ensino Médio – cuja premissa é justamente ofertar uma maior “possibilidade de escolha” para os estudantes.

Além disso, o estudo comprova que os países mais desenvolvidos incentivam os estudantes a cursar o Ensino Profissional e Tecnológico junto com o Ensino Médio, o que ainda não acontece no Brasil.

Em nosso país, apenas 10% da comunidade estudantil adota esta modalidade. A nível de comparação, a percentagem é de 68% na Finlândia e de 49% na Alemanha.

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Ensino Técnico pode ajudar os estudantes brasileiros

De acordo com o economista Guilherme Lichand, um dos autores do estudo da Universidade de Stanford, o incentivo ao Ensino Técnico pode se estabelecer como uma maneira muito interessante para o Brasil aumentar sua produtividade e reduzir as desigualdades no mercado de trabalho.

Afinal de contas, com a adoção do Ensino Técnico (junto com o Ensino Médio), os alunos têm a possibilidade de começar a trabalhar logo após a conclusão dos estudos.

“Estamos no fim da transição demográfica. Daqui a poucos anos vamos ter mais aposentados do que gente trabalhando, em um país pobre. Ou a gente descobre um jeito de o País ser mais produtivo ou quebra”, explicou o especialista em um papo com o jornal Estadão.

A oferta do Ensino Técnico junto com o Ensino Médio (mas não no lugar dele) já é tendência em alguns dos países mais desenvolvidos do mundo, particularmente na Europa e na América do Norte.

“Todos os países analisados ofertam, em maior ou menor escala, a educação profissional e tecnológica. Mais do que isso, dentre os países analisados, aqueles com os níveis mais altos de proficiência e com as maiores taxas de conclusão são, tipicamente, os que possuem maior cobertura da EPT (educação profissional tecnológica)”, diz o estudo.

A pesquisa revela também que, entre os jovens que cursam Ensino Médio e Ensino Técnicos, os segmentos profissionais mais visados são os de comunicação, administração, turismo, ciência de dados, programação e tecnologia em geral.

Como o Novo Ensino Médio se compara aos currículos de outros países?

De acordo com uma pesquisa realizada pelo Itaú Educação e Trabalho, em parceria com o Instituto Reúna, 72% dos currículos do Novo Ensino Médio têm disciplinas acadêmicas, e somente 28% contam com matérias profissionais e tecnológicas.

No entanto, é importante lembrar que, na pesquisa, a análise foi realizada com base nos currículos de apenas 11 estados.

Em outros países, particularmente nas nações mais desenvolvidas, o currículo do Ensino Médio costuma adotar apenas dois ou três caminhos possíveis para os estudantes. Estes caminhos, na maioria das vezes, costumam variar entre o Acadêmico e o Técnico-Profissional.

Essa tendência é adotada, por exemplo, em países como Finlândia, Portugal e Austrália. Já na Alemanha, a maneira como cada aluno cursa o Ensino Médio é definida de acordo com avaliações de professores, que são realizadas assim que os estudantes completam 10 anos de idade.

Nos países avaliados pelo estudo da Universidade de Stanford, Argentina é o único a oferecer maior possibilidade de escolha para os estudantes, com itinerários de diversas áreas, que vão desde o segmento acadêmico até a formação profissional.

“No país, contudo, a taxa de conclusão do ensino médio é ainda mais baixa que no Brasil, ilustrando que flexibilidade curricular tampouco é condição suficiente para baixa evasão e alta proficiência”, completa o estudo.

Em nosso país, atualmente, os estados oferecem até 17 itinerários de formação no Novo Ensino Médio. O problema é que, como citamos anteriormente, muitas escolas encontram dificuldades para implementar estes itinerários, já que muitos deles dependem de recursos tecnológicos que não estão presentes em grande parte das instituições nacionais de ensino.

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Novo Ensino Médio pode mudar em breve

A consulta pública que é realizada atualmente pelo Governo Federal tem o objetivo de entender, de maneira mais abrangente, como a população nacional enxerga o Novo Ensino Médio. Além disso, a pesquisa deve resultar na criação de diversas novidades que, com o passar do tempo, aprimorarão este modelo de educação.

A organização Todos Pela Educação, por exemplo, entregou uma lista de sugestões ao Ministério da Educação. Entre as recomendações mais importantes, destaca-se a adoção de um núcleo comum de conhecimentos e habilidades para cada segmento dos itinerários educativos.

Já Daniel Cara, professor da Faculdade de Educação da Universidade de São Paulo (USP), diz que o Novo Ensino Médio deve ser revogado, e que os estudantes só deveriam ter a opção de substituir os itinerários educativos por matérias eletivas a partir do 3º ano do Ensino Médio.

“Se, em geral, alunos e pais têm poder de escolha sobre qual trilha será seguida nessa etapa de ensino, flexibilidade de escolha não é condição necessária para sistemas da alta proficiência e baixa evasão. O que mantém o aluno na escola é uma relação mais sistemática com ensino profissional e técnico articulado”, conclui Guilherme Lichand, um dos autores do estudo da Universidade de Stanford.

Deseja dar a sua opinião sobre o Novo Ensino Médio? Basta acessar a consulta pública aberta pelo Ministério da Educação: bit.ly/consultapublicaonlinemec.