Demissões por justa causa aumentam em 2024 e o principal motivo é POLÊMICO

O início de 2024 testemunha um número recorde de demissões por justa causa no Brasil, refletindo as novas dinâmicas do mercado de trabalho e o ajuste das empresas à realidade pós-pandêmica.

As demissões por justa causa no Brasil atingiram um pico histórico no início de 2024, marcando um aumento de 25% em comparação ao mesmo período do ano anterior.

Segundo a análise da LCA Consultores, baseada nos dados do Cadastro Geral de Empregados e Desempregados (CAGED), foram registradas 39.511 demissões em janeiro. Especialistas atribuem esse aumento pós-pandemia e ao retorno ao ambiente de trabalho físico.

Demissões por justa causa aumentam em 2024 e o principal motivo é POLÊMICO
confira o maior motivo da demissão justa causa. Crédito: @jeanedeoliveirafotografia / pronatec.pro.br

Quais são as consequências de uma demissão por justa causa para o funcionário?

A demissão por justa causa implica sérias consequências para o funcionário, tanto no aspecto legal quanto na trajetória profissional.

Legalmente, o empregado perde o direito a vários benefícios trabalhistas, como o aviso prévio, a multa de 40% sobre o saldo do FGTS, o saque do próprio FGTS e as férias proporcionais com o terço constitucional. Além disso, o acesso ao seguro-desemprego também é negado.

Profissionalmente, a demissão por justa causa pode manchar a reputação do trabalhador no mercado, dificultando a busca por novas oportunidades de emprego, visto que muitos empregadores veem essa modalidade de demissão com reserva, associando-a a comportamentos inadequados ou infrações graves.

Esse estigma pode exigir do profissional uma jornada de reconstrução da própria imagem e credibilidade profissional, destacando a importância de uma conduta ética e responsável no ambiente de trabalho.

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O que constitui uma demissão por justa causa?

Aqui está uma tabela resumindo as principais causas de demissão por justa causa, conforme a legislação trabalhista brasileira:

#MotivoDescrição
1Ato de improbidadeComportamento desonesto ou fraudulento.
2Incontinência de conduta ou mau procedimentoConduta indevida ou ofensiva.
3Negociação habitual por conta própria ou alheia sem permissão do empregadorRealizar negócios por conta própria sem permissão.
4Condenação criminal do empregadoCaso o empregado seja condenado judicialmente.
5Desídia (negligência no desempenho das funções)Falta de zelo pelo trabalho.
6Embriaguez habitual ou em serviçoConsumo excessivo de álcool ou substâncias.
7Violação de segredo da empresaRevelar informações confidenciais da empresa.
8Ato de indisciplina ou de insubordinaçãoNão cumprir ordens ou normas.
9Abandono de empregoFalta ao trabalho sem justificativa por mais de 30 dias.
10Ato lesivo da honra ou da boa fama praticado no serviço contra qualquer pessoaDesrespeito ou ofensa a colegas de trabalho.
11Ato lesivo da honra ou da boa fama ou ofensas físicas contra o empregador e superioresDesrespeito ou ofensa ao empregador ou a superiores.
12Prática constante de jogos de azarParticipação em jogos que resultem em prejuízo ao trabalho.

Estas causas refletem a variedade de comportamentos e atitudes considerados graves o suficiente para justificar uma demissão por justa causa, destacando a importância de manter um comportamento profissional e ético no ambiente de trabalho.

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O aumento das demissões por justa causa está relacionado ao retorno ao trabalho presencial?

O aumento significativo nas demissões por justa causa em 2024 pode estar intimamente relacionado ao retorno ao trabalho presencial após períodos prolongados de trabalho remoto devido à pandemia.

Esse retorno marca uma transição de volta a um ambiente onde a interação pessoal e o comportamento no local de trabalho são mais visíveis e passíveis de avaliação direta pelos empregadores.

Durante o trabalho remoto, algumas condutas inadequadas ou falhas no desempenho podem ter sido menos perceptíveis ou temporariamente toleradas devido às circunstâncias excepcionais.

No entanto, com a retomada do trabalho presencial, expectativas anteriormente relaxadas quanto à conduta e ao desempenho dos funcionários são reforçadas, e as avaliações tornam-se mais rigorosas.

Além disso, a adaptação ao ambiente de trabalho físico após um longo período de isolamento pode ter sido desafiadora para alguns, levando a comportamentos que resultam em demissões por justa causa.

Assim, esse recorde nos números reflete não apenas uma mudança na dinâmica do mercado de trabalho, mas também o impacto cultural e comportamental do retorno ao convívio corporativo presencial.

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