Correção no FGTS pode prejudicar os mais pobres? Veja o que dizem as autoridades

Governo Federal estuda nova alteração para o rendimento do FGTS. Analistas alertam que isso pode ter um impacto negativo na economia.

A possível mudança na correção do Fundo de Garantia por Tempo de Serviço (FGTS) vem gerando preocupações entre autoridades. Especialistas e empresários, principalmente por seu impacto potencial na população de menor renda do país. O debate sobre essa revisão está atualmente em pauta no Supremo Tribunal Federal (STF), suscitando opiniões diversas e análises sobre as consequências dessa possível alteração.

Possível alteração no rendimento do FGTS preocupa especialistas
Possível alteração no rendimento do FGTS preocupa especialistas. Crédito: @jeanedeoliveirafotografia / pronatec.pro.br

Possível alteração no rendimento do FGTS preocupa especialistas

Atualmente, o FGTS rende TR (Taxa Referencial) mais 3% ao ano. No entanto, a proposta em discussão sugere que o fundo seja corrigido com base na inflação, o que aumentaria seu rendimento. 

No entanto, esse acréscimo poderia encarecer os recursos disponíveis e, por consequência, elevar as taxas de juros dos financiamentos imobiliários que utilizam o FGTS como fonte de garantia. Isso, por sua vez, poderia dificultar o acesso ao crédito para a aquisição de imóveis.

Assim, segundo Inês Magalhães, vice-presidente de Habitação da Caixa Econômica Federal, essa mudança poderia impactar significativamente as contratações do programa “Minha Casa, Minha Vida”. Ela estima que aproximadamente 40% das contratações deste ano não se concretizariam se tivesse ocorrido a alteração no FGTS.

A possível aprovação dessa mudança gera incertezas sobre o custo do dinheiro, especialmente em relação ao retorno esperado. Atualmente, os trabalhadores recebem a TR mais 3%, enquanto as taxas de financiamento variam entre 4% e 8,25%, dependendo da renda. 

Portanto, se os gestores do fundo tiverem que proporcionar um retorno maior, receia-se que isso provoque um aumento nas taxas de juros. Isso vai dificultar ainda mais o acesso ao crédito imobiliário.

Assim, o ministro das Cidades, Jader Filho, destacou a importância do FGTS como fonte de financiamento para programas habitacionais e expressou confiança na busca por uma solução negociada. Assim, ele salientou a meta do governo federal de contratar pelo menos 2 milhões de unidades habitacionais até 2026, reforçando a relevância do fundo nesse contexto.

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Alteração poderia afetar negativamente a economia

Em um encontro promovido pela Esfera Brasil, que contou com a presença de autoridades e empresários, foram discutidos diversos temas pertinentes à construção civil, como emprego e crescimento do setor. Dessa forma, Eduardo Fischer, CEO da MRV&CO, ressaltou a necessidade de se considerar as consequências dessa possível mudança no rendimento do FGTS. 

Ou seja, foi alertado o impacto negativo que essa decisão poderia ter nas famílias de baixa renda, que atualmente têm condições de adquirir imóveis através do fundo. Além disso, Fischer mencionou que essa alteração poderia afetar outros setores da economia. Com isso, quase 3 milhões de empregos gerados pela construção civil deixariam de existir.

Assim, o prefeito de São Paulo, Ricardo Nunes, reforçou a importância de preservar o FGTS como um meio fundamental para os trabalhadores alcançarem a casa própria. Ele ressaltou a necessidade de se estabelecer políticas habitacionais eficazes, especialmente no que diz respeito ao uso do FGTS nos financiamentos imobiliários.

Portanto, a  discussão sobre a possível mudança na correção do FGTS continua em destaque, causando preocupações quanto aos impactos sociais e econômicos. Por isso, autoridades, especialistas e empresários buscam encontrar um consenso que possa equilibrar o rendimento do fundo sem comprometer o acesso à moradia para a população de menor renda.

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